Pus o meu sonho num navio...

Às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. Eu acho que a gente não deve perder a curiosidade pelas coisas: há muitos lugares para serem vistos, muitas pessoas para serem conhecidas. Tudo isso estimula a gente, clareia a cabeça, refresca. Por que não?
— Caio Fernando Abreu (via de-vaneio)

(Source: re-sinto, via letargiiia)

Eu sou paranoico quando o assunto é você. Não posso te ver me olhando de canto, vindo me cumprimentar ou simplesmente olhando na minha direção — mesmo que não seja pra mim — que já começo a achar que você pode, de uma maneira ou de outra, sentir o mesmo por mim. Ou pior, começo a achar que podemos realmente dar certo. Cada gesto seu vai significar um mundo de coisas, vai me fazer pensar e achar milhares de dramas e exageros. E por essas e outras razões, eu tenho medo de criar expectativa demais, de acabar me iludindo mesmo que não haja nada. Mas se isso acontecer — ou estiver acontecendo — eu não vou poder evitar. É mais forte que eu… Gosto da forma como você acelera meu coração, e de quando você o acalma também.
Caio Fernando Abreu  (via atonias)

(Source: s-i-m-p-l-i-f-i-c-a-r, via atonias)

Que eu não perca a vontade de ajudar as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.
Chico Xavier (via imaginariuns)

(Source: c-a-n-a-r-i-o, via imaginariuns)

Quase amores não existem. E não existem mesmo. Mas existem. Tudo bem, você pode desconfiar de um quase corno. Mas, provavelmente, nunca apertou a mão de um semi-gay. Ligeiramente grávidas são um desafio para a ciência. De meio amigos também não há registros, porém para encontrar mui amigos, chute uma lata e surgirão como ratos. Mas quase amor existe. Quase amor é aquele ensejo de romance que surgiu com sabor de sorvete de baunilha. Você foi dar uma colherada com gosto e SPLASH! Ao levar o prazer até a boca, o doce escorreu e espatifou, melecando sua calça jeans. Todo mundo passa por isso, quer queira, quer não. Histórias de quase amor não lotam pré-estreias em Los Angeles, mas na vida sem bilheterias goleiam impiedosamente os contos de amor concreto. Um amor que não passa do primeiro beijo porque o cara é noivo, é um quase amor. Um romance que não chegou no sexo, pois uma das partes embarcou com urgência para Londres sem aviso prévio, é quase amor também. Visualiza a cena: você gosta de uma garota comprometida e pede a ela que não suba no ônibus. Ou será o fim. Ela titubeia, faz bem-me-quer, mas segura o corrimão, ergue o pé direito e te olha com beiço de despedida. Pronto, outro quase amor saindo quentinho. Uns duram cinco anos, outros cinco meses. Raros, cinco dias. Contudo – de fato e amargamente – quase amores se dão como formigas em pote de mel. Por isso quase amores existem e não existem. Talvez não tivera beijo, ou não houve sexo, quiçá um abraço de urso. Quase amores são cheios da falta de café na cama, juras de amor eterno, cena de ciúme, mordida no queixo, lutinha no carpete, banho de espuma, briga na casa da sogra, despedida em rodoviária, confusão de chinelos, chimarrão no meio-fio, troca de alianças, beijo na testa, orgasmo com choro e velhice compartilhada. E se engana quem pensa que os quase amores são aqueles impossíveis ou proibidos, do tipo Janet Dailey. Amores por um triz têm motivos circunstanciais. Amor que é proibido, mas os dois se correspondem, já é amor completo, mesmo que imperfeito. Quase amor é quando um dos lados se doa pela metade, quando tanto. Aí é pretérito. Bem mais que imperfeito. Quase amor é um lugar estranho e ao mesmo tempo familiar. Aconchegante e inóspito. Enérgico e gélido. É como quando você tem um déjà vu ao entrar numa rua ladrilhada dessas de cidade histórica. Um lugar aonde você jamais esteve, porém consulta sua memória rígida buscando reconhecer árvores, calçadas e telhados. Uma saudade abstrata pressiona o peito. E quase dói.
Quase amores.  (via atonias)

(Source: millenaires, via atonias)

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